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ACERTOS E ERROS MAIS COMUNS NA GESTÃO FINANCEIRA

22 de fevereiro de 2021 Por Ace Catanduva (Operador) Leitura Rápida

Inicialmente, os empreendedores iniciantes cometem alguns erros de controle financeiro que podem ser gerencialmente evitados. Ei-los:

1) NÃO DEFINIR UM PRÓ-LABORE.

O pró-labore é a remuneração mensal que o proprietário do negócio define para si mesmo. Quando esse valor não é determinado, o empreendedor acaba retirando dinheiro extra do caixa da empresa para o pagamento de contas pessoais, temporizando o orçamento e todo o ciclo financeiro do negócio.

Em razão disso, é fulcral definir um valor e se restringir a ele, mesmo que a empresa tenha lucrado a mais no mês. Esse excedente, por sua vez, tem de ser investido no próprio crescimento do negócio.

2) MISTURAR AS CONTAS PESSOAL E JURÍDICA.

Outro erro ordinário ocorre quando o empreendedor não separa a conta bancária pessoal da conta jurídica. Essa mistura equivocada pode gerar muita confusão (quiproquó) e temporizar o progresso do negócio com as retiradas constantes.

O empreendedor, por outro lado, pode acabar investindo todo o seu patrimônio pessoal na empresa. Por esse motivo, manter as contas separadas é sine qua non para o crescimento do negócio.

3) NÃO REGISTRAR TODAS AS ENTRADAS E SAÍDAS.

A gestão financeira eficaz depende do registro de todas as entradas e saídas do orçamento, por menores que sejam os valores. Isso significa que até mesmo pequenas transações, como a retirada de dinheiro para comprar materiais de escritório, devem entrar na planilha.

Se esse controle financeiro não for realizado com rigor e exatidão, os valores não vão expressar correspondência com o saldo bancário. Portanto, a empresa terá problemas de orçamento e factíveis irregularidades na contabilidade.

4) NÃO CRIAR UMA RESERVA FINANCEIRA.

De fato, imprevistos acontecem rotineiramente, e as empresas precisam estar preparadas financeiramente para defrontar qualquer conjuntura, seja ela favorável ou desfavorável. É primacial estatuir uma reserva financeira a partir do planejamento do orçamento, tanto para pagar despesas prementes quanto para ter capital (incita o crescimento do negócio).

5) NÃO ESTATUIR OBJETIVOS FINANCEIROS.

A exiguidade de objetivos financeiros é outro erro comum que prejudica os planos do empreendedor. O planejamento, além de ser uma ferramenta indispensável na gestão de qualquer negócio, é um dos pilares da gestão financeira, que permite instaurar objetivos de curto, médio e longo prazo.

Entretanto, para o empreendedor evoluir suas finanças com eficácia e rigor, abaixo se encontram alguns passos construtivos para que ele possa lograr de resultados proeminentes.

1) CONTROLAR SISTEMATICAMENTE O FLUXO DE CAIXA.

O controle do fluxo de caixa é o ponto de partida de uma gestão financeira eficiente, pois permite ladear de perto todas as receitas e despesas do negócio. Com o fluxo organizado, o empreendedor consegue prever, planejar e controlar as entradas e saídas, além de antecipar decisões em caso de falta ou sobra de dinheiro.

Lembre-se: As movimentações também revelam se a empresa terá recursos suficientes para suprir seus gastos bem como se está trabalhando com aperto ou folga financeira. Não basta apenas monitorar as entradas e saídas atuais, é preciso também fazer a projeção do fluxo de caixa para prever o desempenho nos próximos meses.

2) ELABORAR UM PLANO DE CONTAS.

O plano de contas compila todas as regras e normas para propiciar uma visão global das contas da empresa. Para o empresário estruturá-lo, ele deverá nomear, classificar e categorizar as receitas e as despesas de cada segmento do seu negócio. O importante é, portanto, levantar e registrar todas as entradas e saídas para ter previsibilidade financeira. Atente-se: Plano refere-se ao conjunto de medidas a serem tomadas.

3) MAPEAR CUSTOS E DESPESAS.

Como sabido, há vários tipos de custos e despesas essenciais ao funcionamento do seu negócio. Para ter o controle sobre esses gastos, o empreendedor deverá mapeá-los detalhadamente.

Portanto, seu objetivo consiste em identificar se o dinheiro está sendo operado de forma eficiente, isto é, se há algum retorno significativo para a empresa ou se existem custos e despesas (gastos) que podem ser reduzidos ou elididos.

4) DEFINIR SEU CAPITAL DE GIRO.

Em suma, para gerir corretamente o capital de giro da empresa, o empreendedor deverá dimensionar a quantidade ideal em caixa para manter equilibradas as operações do negócio.

5) EFETUAR RELATÓRIOS PARA FAZER O DIAGNÓSTICO FINANCEIRO.

Em princípio, para auferir um diagnóstico financeiro preciso, o gestor financeiro deverá efetuar relatórios gerenciais, dados numéricos fornecidos pela contabilidade.

Tecnicamente, os relatórios são medidas de avaliação qualitativa, que preza pela representatividade dos fatos. Os principais são estes: relatórios de fluxo de caixa, DRE Gerencial, balanço patrimonial e análises de pagamentos e recebimentos. Atentese: O DRE Gerencial (Demonstrativo de Resultado do Exercício Gerencial) é um compêndio das operações financeiras da empresa em um determinado período, cujo objetivo é mostrar se empresa teve lucro ou prejuízo.

6) UTILIZAR INDICADORES PARA MONITORAR O DESEMPENHO FINANCEIRO.

Além de relatórios, o empreendedor também precisa monitorar os principais Indicadores-chave de Desempenho (KPIs) da gestão financeira.

Estes são alguns indicadores imprescindíveis:

  • Faturamento: Refere-se à soma de todos os valores obtidos com as vendas de produtos ou serviços.
  • Lucro Líquido: Trata-se de a receita total da empresa menos os custos fixos e variáveis. Esse resultado diz respeito ao dinheiro que, efetivamente, vai para o bolso do empreendedor.
  • Ponto de Equilíbrio: Momento em que a receita total da empresa é igual ao somatório dos custos e despesas. Em bom português, o ponto de equilíbrio é quando a empresa chega ao zero a zero e está pronta para começar a lucrar.
  • Margem de Lucro: É a porcentagem adicionada aos custos totais de produtos e serviços que define a lucratividade do negócio. Lembre-se: Lucratividade refere-se ao adjetivo do que é lucrativo, que ocasiona lucro, proveito.
  • Margem de Contribuição: É o ganho bruto sobre as vendas, ou seja, o que sobra depois de pagar o custo de produção e impostos sobre produtos ou serviços.
  • Liquidez Corrente: Refere-se à capacidade da empresa de arcar com suas obrigações/incumbências em curto prazo (período). Teoricamente, liquidez refere-se à qualidade do que é líquido, daquilo de que se pode dispor imediatamente, enquanto corrente significa algo que tem curso autorizado, que permeia sem entraves ou barreiras.

7) CONTROLAR O ESTOQUE.

O controle de estoque é outra função primacial da gestão financeira, que consiste em monitorar os produtos armazenados para garantir que as demandas serão atendidas sem prejuízos e excessos.

Com a gestão dos fluxos de entrada e saída adequada, o empreendedor consegue antever as necessidades de compras, mitigar perdas por roubo ou vencimento dos produtos e obter condições melhores de negociação com fornecedores, por exemplo. Assim sendo, é possível otimizar os investimentos em estoque, aprimorar o planejamento de produção e precificar (determinar o valor de) corretamente os produtos.

8) EFETUAR O PLANEJAMENTO FINANCEIRO.

Além de gerir frequentemente as finanças da empresa, o empreendedor
também precisa definir aonde quer chegar e planejar-se para os futuros cenários e movimentações.

Para efetuar o planejamento financeiro de forma eficiente, os empreendedores devem considerar estes fatores:

  • Diagnóstico da situação financeira atual do negócio. Toda situação financeira precisa de diagnóstico.
  • Definição de objetivos e metas. Os objetivos e as metas têm de ser definidos com clareza e precisão. Por exemplo, aumentar o faturamento em 20%, reduzir os custos fixos em 15%, quitar (cessar uma dívida) empréstimos, dentre outros exemplos homólogos.
  • Definição de estratégias. As estratégias devem ser claramente definidas para surdirem seus efeitos. Ter estratégia é possuir opções de escolha. Por exemplo, para aperfeiçoar a gestão financeira da empresa, devem-se cortar os gastos supérfluos ou rever os preços.
  • Projeção de possíveis cenários. Os possíveis cenários devem ser projetados, sejam eles favoráveis ou não.
  • Orçamento detalhado. Os orçamentos, em linhas gerais, devem ser estruturados detalhadamente. Quanto mais detalhes eles tiverem, mais segurança o empreendedor terá para deliberar determinada ação.
  • Cronograma de ações. Sem exceção, as ações necessitam de cronograma. Em tese, cronograma é a ferramenta de gestão utilizada que contempla o tempo necessário para a realização de determinada atividade.
  • Métricas de desempenho. Métrica significa indicador, parâmetro. O desempenho tem suas métricas, parâmetros ou indicadores.

Na medida em que o tempo perpassa, o planejamento financeiro deve passar por atualizações e ajustes periódicos. Para satisfazer quaisquer mudanças ou alterações, sejam elas quais forem, o planejamento financeiro deve padecer os devidos remanejamentos.

9) INVESTIR EM SISTEMA INTELIGENTE.

Com tantas métricas, números e resultados para monitorar, o empreendedor precisa de um sistema de gestão suficiente para administrar as finanças do seu negócio.

Usualmente, há muitos gestores financeiros que ainda utilizam planilhas para gerir suas finanças, mas a probabilidade de erros é maior, em comparação com o uso de sistemas inteligentes. Além desse fato, o tempo gasto na execução dos deveres é infinitamente maior.

Portanto, para mitigar os erros e melhorar o tempo, o ideal é trabalhar com uma plataforma digital que organize os dados financeiros e contábeis. Essa plataforma, por sua vez, permite o acompanhamento do caixa em tempo real e gera os relatórios financeiros automaticamente.

Atente-se: Há quatro tipos de custos e despesas. Ei-los:

  • Custos Fixos: Gastos recorrentes que não se alteram de acordo com o volume de produção, como o aluguel do escritório e a folha de pagamento.
  • Custos Variáveis: Gastos que variam conforme o volume de produção, como a matéria-prima para fabricação de produtos e impostos pagos na comercialização.
  • Despesas Fixas: Despesas administrativas que não variam de acordo com as vendas e distribuição, como o IPTU do escritório e os serviços de limpeza e manutenção. Lembre-se: O Imposto Predial e Territorial Urbano, ou simplesmente IPTU, é o imposto cobrado de todas as pessoas que possuem algum imóvel em área urbana. O montante arrecadado pelo IPTU, portanto, é encaminhado aos cofres públicos.
  • Despesas Variáveis: Despesas administrativas que aumentam ou diminuem na mesma proporção das vendas, como a comissão de vendedores.

Eng.º Esp. Nycholas Nahes Colombo Duarte.

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