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Data de Publicação: 09/02/2018
BLOCO NA RUA

José Carlos Buch

 

Em Montevideo, o carnaval teve início no dia 27 de janeiro e se estenderá por quase trinta dias indo, até o final de fevereiro. A Rua 18 de Julho, a principal da cidade,  com inúmeras arquibancadas espalhadas ao longo de sua extensão, torna-se palco dos desfiles noturnos com carros alegóricos, blocos de pessoas com fantasias sem graça, um batuque que é uma mistura de samba atropelado com marcha militar e mulheres também fantasiadas, que dançam parecendo as havaianas ou odaliscas  tentando acompanhar o ritmo. Nas principais capitais  do Brasil a festa começou na semana passada e seguramente vai avançar para muito depois da quarta feira de cinzas. Os governantes determinaram locais para os blocos desfilarem em vários pontos da cidade e, longe dos sambródamos,  o povo tem a oportunidade de esquecer as amarguras, o desemprego, a corrupção e os políticos desonestos e ladrões e assim  reviver os bons tempos do carnaval de rua, que é a origem de tudo. O país fica paralisado quase que por completo e o consumo de cerveja bate recorde. Os hotéis, principalmente, do Rio de Janeiro e Salvador operam com lotação máxima e o setor de serviços fatura alto. A festa do carnaval movimenta a indústria do turismo como em nenhuma época do ano e, por conta disso, o número de acidentes nas estradas, por imprudência e condutores irresponsavelmente alcoolizados,  é alarmante, com centenas de vidas ceifadas. Na TV aberta e alguns canais fechados é que o mais se vê, com transmissões ao vivo dos desfiles do Rio, São Paulo, Salvador e outras capitais do nordeste. É uma verdadeira enxurrada extenuante de carnaval na TV que as demais notícias ficam num plano secundário. Em nossa cidade, por conta da contenção de verbas ou falta de recursos mesmo, não haverá carnaval e nenhuma rua ou avenida foi destacada para o povo fazer a sua festa, sem precisar de muito do poder público. Quem diria que a cidade que,  por muitos anos ostentou o  título de “melhor carnaval do interior”,  não mais é nem a sombra daquele passado de glória. Os tempos mudaram, é bem verdade, mas isso não confere aos governantes o direito de tolher ou sepultar a cultura de uma cidade que se constitui no legado construído por muitos ao longo de décadas. Cada cidade precisa ter uma marca própria, que a faz ser lembrada no estado e quiçá em todo o país. Assim é Olímpia, tida como a capital do folclore, Ibitinga a capital do bordado, Rio Preto, um centro comercial e de serviços, Novo Horizonte com o seu Novorizontino, sem mencionar outras tantas. E, nossa cidade, alguém pode dizer o que a faz ser lembrada? Além de não termos uma identidade no cenário paulista e nacional, as últimas notícias que ganharam o noticiário foram nada positivas, como a epidemia da dengue em 2015. Antes tarde do que nunca, diriam os saudosistas,  mas o fato é que a cidade precisa buscar algo que a destaque e, o carnaval das antigas como acontecia na Rua Brasil, antes de ser maquiado e transferido para as grandes avenidas, é uma das possibilidades. Quem não tem saudade dos calhambeques e jeeps espocando os motores, do dançarino solitário com a sua boneca de pano, dos  blocos e do  povo na rua se divertindo? Quem sabe no próximo ano isso seja possível e, se o poder público não tomar a iniciativa cabe aos líderes e aos cidadãos que gostam de carnaval fazer isso acontecer. Pode não ser muito, mas  é um bom (re)começo. Como diz a marchinha de Chiquinha Gonzaga, de 1939 –  “Ó abre alas que eu quero passar”.

 

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