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Data de Publicação: 06/02/2018
FARMÁCIAS E O FARMACÊUTICO DA FAMÍLIA

José Carlos Buch

 

Hoje a conversa é sobre a figura do farmacêutico da família que,  na década de cinquenta e sessenta resolvia praticamente todos os problemas de doença. Estes profissionais,  além de fazerem injeção intramuscular e intravenosa, faziam curativos e até mesmo pequenas suturas, além, é claro de indicar medicamentos. Como existiam  poucos médicos e,  especialistas menos ainda, estes profissionais supriam essa carência, principalmente da população de baixa renda e com muita competência, é bem verdade. Além da experiência com farmacologia e manipulação, eles conheciam as pessoas com as quais conviviam no dia-a-dia e, isso era meio caminho para a eficácia do remédio indicado. Assim era o palmeirense Zambeli da farmácia Vaz que funcionava na esquina da Rua Pernambuco com a Rua Brasil, onde hoje funciona a Drogasil. Seu fanatismo pelo time do coração era visível com o distintivo do clube na parede da farmácia e o uso somente de caneta verde para preencher cheques que também eram carimbados com o distintivo do verdão. Na esquina da Rua São Paulo com a Rua Rio Grande Sul, ficava a farmácia do Pedrão Pivato, um senhor gordo de voz grave, que não dispensava o seu jaleco branco. Nos autos do São Francisco, na Rua 15 de Novembro, entre as Ruas Porto Alegre e Paraná, o Marino de sobrenome Quaglia, salvo engano,    era um verdadeiro “doutor”, cuidando dos pacientes de todo o bairro e do Córrego Fundo. Posteriormente foi sucedido pelo Waltão, que também acumulava a função de massagista dos jogadores do time do Botafogo da Vila Rodrigues e depois do esquadrão do 15 de Novembro. No Higienópolis, inicialmente na Rua Rio Grande do Sul e depois em frente à Catedral (Santuário, à época), o farmacêutico Hilton Carvalho, era muito respeitado e preciso na indicação de medicamentos tal como o João Morelli, que tinha farmácia na Rua Curitiba e atendia pessoalmente, até pouco tempo,  toda a Vila Motta. Na Rua Minas Gerais, entre as ruas Fortaleza e a Avenida  24 de Fevereiro, o Sr. Oswaldo Cruz era muito requisitado  e estava à frente da farmácia do mesmo nome. Ainda na Rua Minas Gerais, entre as ruas Santos e Ribeirão Preto, predominava a farmácia do Ricieri, em frente onde é hoje o Bazar Luciana,  na qual o Waltão(da Farmaquinze) começou a sua profissão. Farmácia do Oswaldo Zapaterra, funcionava inicialmente na Rua Brasil, entre ruas Minas Gerais e Bahia, onde hoje é a loja de calçados “A Modelar”, até se mudar para a Rua Pernambuco entre 13 de Maio e Maranhão.  Na Rua Minas Gerais, 467, onde hoje funciona a Ótica Ocular, funcionava a farmácia do Urbano Sales que,  em 1959, foi totalmente destruída  na fatídica greve que ficou conhecida como “da  força e luz”, na qual a população se revoltou contra a CNEE-Companhia Nacional de Energia Elétrica, pelos recorrentes apagões na cidade. Urbano Sales teve a farmácia invadida em represália,  por ser também o delegado da cidade. Na Rua Brasil, entre a Rua Aracaju e a Cuiabá, a farmácia Radar tinha à sua frente Guido Bróglia, que foi um dos fundadores do Hospital Espirita “Mahatma Gandhi”. Na mesma Rua Brasil em frente onde é hoje a Eletromais, Alcides Colombo atendia com muito presteza e dedicação  na Farmácia Edson. Na Rua Pernambuco, entre as ruas Ribeirão Preto e Fortaleza, existia a farmácia do Moacir Baisso,  que foi por muito tempo funcionário da Drogasil.  No centro da cidade,  a Drogasil, na Rua Brasil próximo da esquina com a Rua Sergipe e a Drogadada,  onde hoje funciona o Torra Torra, ambas de grande porte,  atendiam o pessoal do centro e a classe mais elitizada que podiam adquirir também cosméticos. Eram poucas as farmácias, diferente de hoje que tem uma em cada esquina e, a figura do farmacêutico(quase médico),  era muito valorizada e respeitada. Era o tempo em que nem  a seringa nem a agulha eram descartáveis, eis que esterilizadas por dois ou três minutos na água fervendo no próprio estojo onde estas eram guardadas. Parte dos medicamentos era manipulado e não se tinha noticia de princípio ativo ou sal adulterados ou de eficácias duvidosas. Além da relação amistosa e de confiança entre cliente e o farmacêutico,  havia o respeito e honestidade que permitia ficar devendo na caderneta ou pendurar a conta para ser paga no mês seguinte. Não existia faculdade de farmácia e praticamente todos os profissionais eram práticos, com a experiência adquirida atrás do balcão, mas acima de tudo,  exímios conhecedores da natureza humana, que é o que falta muito nos dias atuais. O lucro não era o fim, apenas consequência, mas o atendimento sim –  situação totalmente inversa hoje em dia. Bons tempos aqueles em que, alergia era conhecida como coceira ou cobreiro e resfriado equivocadamente chamado de constipado. Vieram as farmácias modernas e as grandes redes com pessoal treinado, farmacêuticos e farmacêuticas com formação superior. Ficaram as lembranças dos velhos farmacêuticos, alguns ainda vivos, e das farmácias antigas que não mais existem. (Este artigo é dedicado ao leitor da coluna,  Padre Sylvio Fernando Ferreira – 49 anos dedicados a Catanduva).

 

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