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Data de Publicação: 15/12/2017
CURIOSIDADES MUSICAIS

José Carlos Buch

Pouca gente sabe, mas The Fuzz, música conhecida em todo o Brasil há mais de 45 anos, se tornou o tema de abertura do Jornal Nacional por mero acaso, poucas horas antes da estreia do telejornal, em 1º de setembro de 1969. Isso por Isso porque a composição original que seria utilizada como trilha do telejornal, nunca divulgada, foi rejeitada pela cúpula da emissora. O então diretor da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, não gostou  do tema escrito  por um dos maestros da casa e na última hora pediu ao Antônio Faia, que era o sonoplasta da emissora, para encontrar uma abertura desesperadamente. – “Havia um vídeo e tínhamos que sincronizar com uma música” –, contou Boni. Tinha uma loja de discos em frente ao Jardim Botânico. Ele foi lá e trouxe um disco. Montamos em 30 segundos aquela abertura e ficou até hoje. Foi às pressas, comentou. O disco continha The Fuzz, peça que foi composta pelo norte-americano Frank De Vol para o filme The Happening, de 1967, estrelado por Anthony Quinn e Faye Dunaway. A comédia fez pouco sucesso, mas a trilha sonora obteve destaque com a música The Happening, interpretada por The Supremes que,  alcançou o primeiro lugar na época. Outra interessante curiosidade é que The Fuzz não foi utilizada apenas no noticiário brasileiro. Coincidência ou não, o fato é que, antes mesmo do Jornal Nacional, a KOOL-TV, de Phoenix, colocou o tema como abertura de seu telejornal, bem como a WKBW-TV, de Buffalo e outras emissoras, inclusive do Canadá. Ao contrário de outros telejornais que já tiveram seus temas alterados, como o Jornal da Globo e o Bom Dia Brasil, a Globo nunca trocou The Fuzz por outra composição para o Jornal Nacional, e nem poderia, dada a identificação do telejornal com sua trilha sonora.

Até os anos noventa funcionava na cidade  o serviço de auto falante Independência, com estúdios na Rua Alagoas e transmitido para a Praça da República e Parque das Américas. Theme from a Summer Place, gravada por  Percy Faith e sua Orquestra, especialmente para o  filme Amores Clandestinos, lançado em dezembro de 1959,  era a música que marcava a abertura dos trabalhos e  também o seu encerramento, pontualmente, todos os dias às 22h00. Ficou conhecida entre nós como hino das virgens, pois a sua execução, sempre nesse horário aos sábados e domingos,  marcava também  a debandada das moças que participavam do footing na Praça da República. Vez ou outra, só para ironizar, o apresentador Emilio Surita executa esta musica no seu programa Pânico, na Jovem Pan.  

O maestro Walter Branco, nascido prematuro em Paranaguá/PR., onde seus pais passavam o fim de semana, na primavera de 1929 é o  compositor da música  tema celebre  do filme “A Pantera cor de rosa”. Seu nome apareceu na primeira versão do filme e depois inexplicavelmente foi retirado, passando  o crédito para o arranjador Henry Mancini. Atém recentemente o compositor brasileiro vivia numa pensão em Curitiba de onde foi despejado,  sendo acolhido por uma filha que mora no Rio de Janeiro. 

A musica “Los hombres non deben llorar”, com mais de 100 gravações diferentes em todo o mundo, inclusive por Julio Iglesias e Roberto Carlos, foi composta pelo saudoso sanfoneiro Mario Zan, cujo verdadeiro nome era Mario Giovanni Zandomeneghi,  nascido em Roncade, região do Vêneto na Itália. Ainda pequeno foi trazido pelos pais para a  vizinha Santa Adélia, onde a família de imigrantes se instalou para trabalhar na lavoura de café. Mario Zan é o autor também dos hinos comemorativos dos 400 e 450 anos da cidade de São Paulo. Ele faleceu de infarto em 09 de novembro de 2006 e foi sepultado no Cemitério da Consolação, em frente ao jazigo onde está enterrada a Marquesa de Santos, conforme seu próprio desejo, grande admirador de Domitila de Castro Canto e Melo, a  “Marquesa de Santos”.

Garota de Ipanema, lançada em 1962,  é a segunda canção mais executada da história, atrás apenas de "Yesterday", dos Beatles. De acordo com a editora do grupo Universal, que administra a comercialização da música, há mais de 1,5 mil produtos (LPs, CDs, DVDs) com ela. É impossível saber ao certo o número de interpretações gravadas, mas deve ultrapassar 500. Na internet, encontram-se versões em finlandês, estoniano e até esperanto. E a inclusão em filmes, programas de TV, comerciais e jogos eletrônicos não para — só neste ano, os herdeiros de Tom Jobim e Vinicius de Moraes aprovaram a utilização na série "Mad men", num filme dos irmãos Coen e em campanhas da Nike e da Calvin Klein, dentre outras consultas.

Na lista das mais gravadas no mundo, entra também Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Para se ter uma ideia,  essa canção já teve mais de 140 versões diferentes. A música foi lançada em 1939 pela atriz Aracy Côrtes numa revista musical chamada “Entra na Faixa”. Porém, o grande sucesso no Brasil só aconteceu  com a regravação de Francisco Alves acompanhado pela orquestra de Radamés Gnatalli. O sucesso internacional, por sua vez,   só veio após a inclusão no filme de animação “Saludos Amigos”, lançado em 1942 pelos Estúdios Disney. Foi a partir de então que a canção ganhou reconhecimento não só nacional como internacional, tendo se tornado a primeira canção brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios americanas. Devido à enorme popularidade conquistada nos Estados Unidos, a canção recebeu uma letra em inglês do compositor Bob Russell, escrita para Frank Sinatra em 1957. Desde então, já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo. Um exemplo de que ás vezes uma regravação é mais famosa que a versão original.

 

 

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