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Data de Publicação: 08/09/2017
MOHAMED BZEEK, PAI DE CRIANÇAS TERMINAIS

(uma história de vida que comove)

José Carlos Buch

 

 

Você seria capaz de levar uma única criança abandonada e, em fase terminal, para a sua casa e cuidar dela até que ela viesse a falecer? A resposta provável seria não, mas em Los Angeles um homem  não só  levou uma, mas, ao longo dos últimos trinta anos,  muitas delas. Sua história é fascinante e, vê-lo no youtube acariciando e confortando uma criança ao colo,   é  comovente e ao mesmo tempo muito triste. Esse homem é Mohamed Bzeek, um imigrante muçulmano da Líbia, que perdeu a esposa em 2013 e teve um único filho portador de deficiência que nasceu em 1997. Dez anos antes ele  iniciara uma tarefa muito especial em sua vida e desde então,  ele é pai adotivo de crianças  doentes e em estado terminal que foram abandonadas por seus pais. Normalmente, essas crianças acabariam suas vidas em um hospital, sozinhas e abandonadas. Mas,  em vez disso, as que são acolhidas em sua  casa morrem em seus abraços, recebendo muito afeto e carinho. No pouco tempo que a vida  reserva à essas moribundas crianças, elas encontram nesse anjo de Deus, o amor, a força, o calor e a alegria que mereciam ter tido em toda sua vida. A empatia de Mohamed para essas crianças começou quando ele foi diagnosticado com câncer de cólon. Então teve que ir ao hospital e enfrentar uma delicada cirurgia de câncer, sem ninguém ao seu lado. Mohamed se sentiu completamente sozinho,  assim como todas as crianças órfãs doentes. – "O essencial é amá-las como se fossem nossas. Eu sei que estão doentes, sei que vão morrer, mas faço o meu melhor como ser humano e deixo o resto para Deus" –, diz. Ele adota somente crianças em estado terminal. Mohamed começou a adotar as crianças mais necessitadas e doentes em 1987, e desde então dezenas  já vieram a falecer. No momento, cuida especialmente de uma menina de seis anos, cujo nome não pode revelar. Está cega, surda, e os braços e pernas estão paralisados, vítima de encefalocele. Apesar de não ouvir, Bzeek fala com ela. – "Tenho que acariciá-la porque é a única forma de ela saber que estou aqui. Procuro dar-lhe todo o carinho que posso porque é um ser humano. Ela tem alma, tem sentimentos. Não ouve, mas eu falo" –, afirma. Ele vive numa casa humilde num bairro residencial de Los Angeles também não muda o seu modo de vida e,  muitos amigos e conhecidos não sabem do seu  trabalho voluntário e extremamente humanitário. – "Nem sequer na mesquita sabem o que faço. São coisas de que não falo. No fundo sou um tipo normal" –, diz. Já enterrou dezenas de   crianças, mas isso não parece desanimar o seu intuito e  objetivo de proporcionar as elas melhores condições de vida e, acima de tudo, amá-las. Ele dá às crianças moribundas uma sensação de segurança, felicidade e alegria que de outra forma não teriam. Em uma das poucas entrevistas declarou:  – "Eu amo crianças, e... odeio ver eles sofrerem, sabe? Quero dizer, estas crianças precisam de alguém! Sei que é de partir o coração, sei que é muito trabalho, sei que irá me machucar em algum momento, sabe? Me sinto triste.  Mas em minha opinião, temos que ajudar uns aos outros. Sabe? E eu farei enquanto tiver saúde. Descobri que tenho câncer de cólon. Essa foi a parte assustadora. Eu sou um adulto, com 62 anos, e senti que estou sozinho. Que estou assustado, e ninguém me diz que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Essa experiência me tornou mais humilde. E estou feliz que ajudo essas crianças a passar por isso. Eu ajudo ele, fico com ele, eu o conforto... Eu amo ele. Ou ela.  E até o  momento da sua morte estou com ele, faço com que ele sinta que têm uma família, e que têm alguém que se importa muito com ele e o ama. Eles não estão sozinhos” –. E, se isso não fosse o bastante, Mohamed  ainda arruma tempo para  visitar as crianças que já morreram no cemitério que fica a poucos quilômetros de sua casa, onde medita e "conversa"  com elas. Enquanto muitos grupos muçulmanos, dentre eles o Estado Islâmico(EI) e Al-Qaeda, promovem e  espalham medo,  pânico, violência, atentados  e  terrorismo, matando e ferindo covardemente indefesos e inocentes  no mundo, um muçulmano do bem dá um exemplo sublime de doação,  solidariedade e, sobretudo, de espírito humanitário. Histórias emocionantes  como essa comovem e  enchem os olhos de lágrimas, mas também fazem-nos  acreditar que, enquanto existirem  Mohameds Bzeeks,  crianças moribundas não morrerão sem carinho, sem ternura,  sem afeto e sozinhas no leito frio de um hospital. E isso tem nome: dar amparo e dignidade à iminente morte.  

 

advogado tributário

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