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Data de Publicação: 08/06/2017
A ORIGEM DA CACHAÇA E DA EXPRESSÃO “MERDA” NO TEATRO

José Carlos Buch

 

São várias as versões existentes sobre a origem da cachaça. De certa forma podemos dizer que,  sua história começa quando os portugueses trouxeram da Ilha da Madeira a cana-de-açúcar. Uma das versões encontrada no Museu do Homem do Nordeste conta a história ocorrida no Estado de Pernambuco, na época da escravidão. Diz o registro que antigamente, para se ter o melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e o levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém, um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou. O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do  feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome 'PINGA'. Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de 'ÁGUA-ARDENTE' caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

 

A outra versão é apresentada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro Prelúdio da Cachaça, onde aponta que a primeira cachaça foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, onde surgiram os primeiros engenhos de açúcar no Brasil. Nessa versão de Cascudo, foram os portugueses, depois de aprenderem as técnicas de destilação com os árabes, que produziram os primeiros litros da bebida.

 

A pinga ou cachaça, é uma bebida genuinamente brasileira com um consumo médio per capita de 3,8 litros e, curiosamente, quanto mais cai a expectativa econômica, maior o consumo. Ou seja, na crise o consumo de pinga aumenta. Uma provável explicação está na frustração pela falta de esperança em melhora,  perda do emprego ou risco de perde-lo e, para muitos que o perderam, o fato de ter que sobreviver informalmente. A outra explicação é de mercado – quanto menor o poder aquisitivo –   maior a  migração de  consumidores da cerveja e outras bebidas para a cachaça. E,  o que a cachaça tem a ver com a expressão “merda”? Absolutamente nada, a não a curiosidade de suas origens.

 

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Quem vive no mundo do teatro, dificilmente não deixa de falar “merda” antes de entrar no palco. O que muitos não sabem, sejam aqueles que utilizam a expressão ou aqueles que porventura as ouvem, é a origem da expressão. Esta expressão que pode ser considerada um mantra, uma espécie de ritual usado pelos atores antes de suas apresentações, tem origem francesa. Um ator iria apresentar a peça mais importante de sua vida, estava nervosíssimo, pois na plateia estariam os mais importantes críticos da cidade. No percurso de sua casa ao teatro, encontrou muitos obstáculos. Primeiro, deparou-se com um incêndio, teve que desviar e acabou se perdendo. Como quem tem “boca vai a Roma”, conseguiu chegar ao teatro. Na porta do teatro,  para completar suas asneiras, pisou em um cocô. Entrou, atuou e saiu muito feliz com a melhor atuação de sua vida. Assim, a expressão “merda” tem o mesmo significado de boa sorte e é sempre usada antes das apresentações de teatro e dança.  Uma segunda explicação remonta à França do século XIX, quando o público chegava às casas teatrais em carruagens ou a cavalo. Os arredores do teatro lotado das fezes desses animais, além do odor insuportável, significavam que muita gente havia comparecido para assistir à montagem. Dessa forma, a expressão “merda” passou a significar boa sorte para a companhia. Finalmente, uma terceira e última versão sobre o tema envolve o maior de todos os autores, o inglês Shakespeare que, ao ver a quantidade de excrementos em frente ao teatro, emprestou o termo “merda” para desejar boa sorte antes dos espetáculos. Assim, para ter sucesso em teatro é preciso ter muita “merda”, quer dizer sorte.

 

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Você pode não acreditar, mas as expressões “merda” e bebida alcoólica dão liga.  E tudo começou quando Portugal passava por um período conturbado, marcado pela luta entre os políticos de esquerda e de direita que duelavam pelo poder. Neste contexto, foi criado o Licor de Merda  para “homenagear” algumas autoridades que então governavam Portugal. Tudo leva a crer, obviamente que, lá como cá,  os caras eram uns merdas! O licor produzido de forma artesanal há mais de 30 anos, teve a fórmula original criada no século XX, por um frade maluquinho conhecido por Basku Gonsalbes, entretanto, a bebida jamais foi colocada à disposição dos consumidores. Porém, em setembro de 2004, a empresa Sérgiu’s Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda.,  lançou no mercado o hoje famoso: “Licor de Merda”. O que estaria imaginando o Frade Basku? Boa coisa não era, no mínimo estava pensando um monte de merda! E que tal lançar no Brasil a cachaça de merda para homenagear os nossos políticos? Quem sabe poderia trilhar a mesma “merda”, quer dizer sorte,  do licor português, não é mesmo?

 

 

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